Vantagem Competitiva através das Capacidades Dinâmicas da empresa

Se por um lado à noção de Vantagem Competitiva se apoia na premissa de Porter (1999) que para adquiri-la, a empresa deverá ter um produto ou serviço único, de difícil imitação e ser sustentável ao longo do tempo, poucas empresas efetivamente têm conseguido.

Por outro lado Teece e Pisano (1997) nos remetem a reflexão da importância prioritária das “Capacidades Dinâmicas” de uma empresa para posterior construção de uma Vantagem Competitiva.

Ou seja, primeiro descubra o que você e sua empresa sabem fazer bem e depois busque sua vantagem competitiva com base nas suas capacidades dinâmicas.

A questão fundamental do artigo de Teece e Pisano (1997) é de como e porque algumas empresas constroem e sustentam uma vantagem competitiva ao longo do tempo?

Esta vantagem deve ser construída com o desenvolvimento das “Capacidades Dinâmicas” ao qual se empenham em analisar os recursos disponíveis dentro da organização e para depois buscar o seu posicionamento no mercado.

Teece e Pisano (1997) identificam 3 paradigmas existentes no campo da estratégia e descrevem os aspectos de um novo modelo emergente que eles definiram como “Capacidades Dinâmicas”.

Primeiro Paradigma: O primeiro foi dominante na década de 80 que foi construído por Porter que cunhou a expressão: “As Cinco Forças Competitivas”. Esta abordagem tem forte influencia da indústria e ênfase nas ações que a empresa pode adotar e para criar posição defensiva contra as forças competitivas no mercado como barreiras de entrada, produtos substitutos, poder de barganha de compradores e fornecedores e a rivalidade entre as indústrias. O intuito é de obter lucros acima da media em determinado segmento.

Segundo Paradigma: Estratégia do conflito que se utiliza da “Teoria dos Jogos” para analisar a natureza da interação competitiva entre empresas rivais, como a empresa influencia o comportamento de outras empresas e nas ações de empresas rivais que tentam buscar um produto privilegiado no mercado. Nesta abordagem o comportamento estratégico depende crucialmente em que o rival acredita que o outro rival vai fazer em uma determinada situação. Para Teece e Pisano (1997) esta abordagem ignora a competição como um processo envolvendo o desenvolvimento, acumulação e proteção de habilidades e capacidades únicas que uma empresa pode desenvolver.

Terceiro Paradigma: ênfase em construir vantagem competitiva capturando rentabilidade pelo nível de eficiência.

Quarto paradigma: refere-se às “Capacidades Dinâmicas” de uma empresa que é a combinação de competências e recursos que podem ser desenvolvidas, distribuídas e protegidas e procuram incrementar as competências (internas e externas) específicas da empresa.

O termo “Dinâmico” refere-se à capacidade de renovar competências e obter congruência com as mudanças dos negócios onde a inovação é fonte aliada do dinamismo. Por outro lado, o termo “Capacidades” refere-se à estratégia de propriamente se adaptar, integrar e re-configurar as habilidades internas e externas, recursos e competências funcionais para se adaptar às exigências de mudança no ambiente. O grande desafio tem sido de identificar a correta alocação de recursos, cada vez mais escassos, para as diversas áreas da empresa. Para Winter (2003) uma capacidade organizacional é uma rotina (ou várias) de alto nível que juntas conferem à organização algumas opções de decisões a serem tomadas em função da sua expertise.

A noção de vantagem competitiva exige o equilíbrio entre a inovação incremental e inovações radicais. Pesquisadores de todo o mundo tem se interessado em saber como algumas organizações são as primeiras a desenvolver especificas capacidades e como elas renovam suas competências para responder às mudanças do ambiente.

Segundo Winter (2003) é possível uma empresa mudar mesmo sem ter capacidades dinâmicas relevantes, pois num estagio inicial da mudança este conceito ainda se revela incipiente, mas a partir que a mudança seja necessária em outros níveis da organização, o uso das capacidades dinâmicas se torna mais urgente.

 

Prof. Alexandre Martins

 

UNIVERSIDADE DO VALE DO RIO DOS SINOS

Mestre em Administração

Competências  Organizacionais

Alexandre Martins

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